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Fraturas do punho

Fratura de escafoide: sintomas, tratamento e recuperação

Dor no punho após uma queda pode indicar uma lesão que merece atenção, como a fratura de escafoide.

· 9 min de leitura · por Dr. Henrique Cembranelli

Radiografia da mão e do punho mostrando os ossos do carpo, exame usado na fratura de escafoide

A fratura de escafoide pode acontecer depois de uma queda aparentemente simples, principalmente quando a pessoa estende a mão para proteger o corpo.

A dor surge no punho, perto do polegar, e nem sempre vem acompanhada de um grande inchaço.

Essa característica faz com que algumas pessoas pensem que tiveram apenas uma pancada ou uma torção.

O problema é que o escafoide possui particularidades na sua circulação sanguínea, e certas fraturas precisam ser identificadas cedo para que o osso tenha boas condições de se consolidar.

Por isso, dor persistente nesse ponto depois de uma queda merece avaliação de um ortopedista especialista em mão em Belo Horizonte.

O que é fratura de escafoide?

O escafoide é um dos oito pequenos ossos que formam o carpo, região localizada entre a mão e o antebraço. Ele fica próximo à base do polegar e participa diretamente da movimentação e da estabilidade do punho.

Quando esse osso recebe uma força maior do que consegue suportar, pode ocorrer uma fratura de escafoide. A situação mais conhecida é a queda com a mão aberta apoiada no chão.

Acidentes esportivos, quedas de bicicleta, colisões e outros traumas também podem provocar a lesão.

Por que a localização da fratura importa?

O escafoide não recebe sangue da mesma maneira em toda a sua extensão. Parte da circulação entra por uma região do osso e percorre um trajeto até chegar às demais áreas.

Se a fratura interromper esse caminho, um dos fragmentos pode ficar com menor suprimento sanguíneo. Esse detalhe interfere diretamente na capacidade de cicatrização.

Por esse motivo, duas fraturas no mesmo osso podem ter comportamentos bastante diferentes durante o tratamento.

Onde fica o osso escafoide?

O osso escafoide fica no lado do punho correspondente ao polegar.

Uma pequena depressão existente nessa área, chamada de tabaqueira anatômica, é um dos pontos examinados quando existe suspeita de fratura.

Após um trauma, apertar essa região pode provocar dor. O paciente também pode sentir desconforto ao movimentar o polegar ou ao dobrar o punho.

Algumas atividades simples ficam incômodas, como:

  • Abrir uma tampa;
  • Segurar um copo;
  • Carregar uma sacola;
  • Girar uma chave;
  • Levantar-se apoiando a mão;
  • Praticar exercícios que exigem apoio do punho.

A localização da dor ajuda o médico na investigação, mas não confirma sozinha que existe uma fratura.

Quais são os sintomas de escafoide quebrado?

Nem sempre um osso quebrado provoca uma dor incapacitante. No escafoide, os sinais podem ser discretos nas primeiras horas ou nos primeiros dias.

A pessoa pode continuar mexendo o punho e até realizar algumas tarefas, ainda que com desconforto.

Os sintomas mais relatados são:

  • Dor perto da base do polegar;
  • Sensibilidade ao tocar o lado externo do punho;
  • Inchaço discreto;
  • Dor ao apoiar a mão;
  • Desconforto ao segurar objetos;
  • Redução da força;
  • Piora da dor durante determinados movimentos.

Não é obrigatório haver deformidade visível. Também pode não surgir aquele inchaço intenso normalmente associado a uma fratura.

Quando a dor permanece depois de uma queda, particularmente no lado do polegar, vale investigar mesmo que o punho pareça normal externamente.

A fratura pode não aparecer no primeiro raio-X?

Sim. Esse é um dos pontos que tornam a investigação do escafoide diferente de muitas outras fraturas.

Dependendo da posição e do tamanho do traço, a lesão pode não ficar evidente nas primeiras radiografias.

Um raio-X sem alterações claras logo após o trauma não elimina completamente a possibilidade de fratura.

Se o exame físico continuar sugerindo lesão do escafoide, o punho pode ser protegido enquanto a investigação prossegue.

Quais exames podem ajudar no diagnóstico?

A radiografia é um dos primeiros exames solicitados. Em alguns casos, novas imagens são feitas depois de determinado período.

Quando ainda existe dúvida, o médico pode recorrer a outros exames.

A escolha depende dos sintomas, do tipo de trauma e do resultado da avaliação clínica.

O que fazer quando existe suspeita de fratura?

Depois de uma queda, algumas pessoas tentam movimentar repetidamente o punho ou apoiar peso sobre ele para testar se houve algo sério.

Esse tipo de teste não consegue excluir uma fratura.

Quando existe dor persistente, o ideal é poupar o punho até receber uma avaliação adequada.

Na consulta, a investigação normalmente segue algumas etapas:

  1. O médico pergunta como ocorreu o trauma e em qual ponto a dor começou.
  2. O punho é examinado em busca de áreas dolorosas e limitações de movimento.
  3. Radiografias podem ser solicitadas para procurar sinais de fratura.
  4. Se a dúvida continuar, outros exames podem complementar a investigação.
  5. Com as características da lesão definidas, é escolhido o tratamento.

Essa avaliação permite diferenciar uma fratura de outras lesões capazes de provocar dor na mesma região.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende principalmente do local onde o osso quebrou e da posição dos fragmentos.

Fraturas estáveis e sem deslocamento importante podem ser tratadas com imobilização em situações selecionadas, com o objetivo de proteger o osso enquanto ocorre a consolidação.

O tipo de proteção utilizado pode variar. O acompanhamento também precisa continuar durante esse período para verificar a evolução da lesão.

Quanto tempo o punho precisa ficar imobilizado?

Não existe uma quantidade fixa de semanas que sirva para todas as pessoas, pois algumas áreas do escafoide apresentam melhores condições de consolidação do que outras.

O médico acompanha a evolução por meio do exame do paciente e, quando necessário, de novas imagens.

A melhora da dor sozinha não significa que o osso já se consolidou. O paciente pode se sentir melhor antes de a fratura estar preparada para receber cargas maiores.

Retirar a imobilização ou voltar a atividades pesadas antes da liberação pode prejudicar a recuperação.

Quando a cirurgia do escafoide pode ser necessária?

Nem todas as fraturas precisam de cirurgia. A decisão depende das características observadas nos exames e do risco de o osso não se consolidar adequadamente.

Fraturas em que os fragmentos saem da posição ou apresentam maior risco de não consolidar podem precisar de cirurgia.

Nesses casos, o procedimento busca alinhar o osso e manter os fragmentos firmes, criando melhores condições para a consolidação.

Como o osso é fixado?

Uma das possibilidades é utilizar um parafuso próprio para o escafoide. Ele mantém os fragmentos unidos e reduz a movimentação no local da fratura.

A técnica escolhida muda conforme o padrão da lesão.

Os aspectos analisados são:

  • Localização da fratura;
  • Grau de deslocamento;
  • Estabilidade dos fragmentos;
  • Tempo transcorrido desde o acidente;
  • Condições do osso;
  • Sinais de dificuldade de consolidação.

O fato de duas pessoas terem quebrado o escafoide não significa que receberão exatamente o mesmo tratamento.

Por que o escafoide pode demorar para se consolidar?

A circulação sanguínea desse osso merece atenção. Parte dos vasos entra pelo escafoide em uma região específica e segue em direção às demais áreas.

Quando uma fratura interrompe esse trajeto, um fragmento pode passar a receber menos sangue.

O que a circulação tem a ver com a cicatrização?

O sangue participa do processo de reparação do osso. Uma região com menor irrigação pode ter mais dificuldade para se consolidar.

Certos tipos de fratura apresentam maior risco de demora na cicatrização ou de pseudoartrose.

A localização da lesão, o deslocamento e o tempo até o diagnóstico interferem nessa evolução.

O que é pseudoartrose do escafoide?

Pseudoartrose é o nome dado à situação em que os fragmentos de uma fratura não conseguem se unir adequadamente.

O paciente pode continuar sentindo dor no punho, principalmente ao fazer força ou apoiar a mão. Em alguns casos, a limitação aparece meses depois do trauma inicial.

Uma fratura que passou despercebida pode ser descoberta somente nessa fase.

Existe risco de desgaste no punho?

Quando o escafoide não se consolida e sua anatomia fica alterada, a distribuição das forças dentro do punho também pode mudar.

Com o passar do tempo, esse desequilíbrio pode favorecer desgaste nas articulações próximas.

Uma dor antiga na região do escafoide, principalmente após uma queda esquecida ou considerada leve, merece ser investigada.

O tratamento de uma pseudoartrose é diferente do tratamento realizado logo após a fratura.

Alguns pacientes podem precisar de cirurgia para estabilizar o osso e favorecer uma nova tentativa de consolidação.

O que é necrose avascular do escafoide?

A necrose avascular acontece quando uma região do osso recebe sangue em quantidade insuficiente por um período prolongado.

No escafoide, esse risco está relacionado às características da sua circulação. Algumas regiões são mais vulneráveis quando ocorre uma fratura.

Nem toda lesão evolui dessa maneira. O risco varia bastante de acordo com o local onde o osso quebrou e com o comprometimento do suprimento sanguíneo.

Os exames ajudam a avaliar a situação do osso quando existe suspeita dessa complicação.

Quanto tempo demora a recuperação?

O tempo de recuperação depende de vários fatores. O ponto exato da fratura, o tratamento escolhido e a resposta do organismo interferem diretamente nesse prazo.

Uma lesão estável descoberta cedo apresenta uma evolução diferente de uma fratura deslocada ou diagnosticada semanas depois.

Também existe uma diferença entre consolidar o osso e recuperar completamente a função do punho.

O que acontece depois da imobilização?

Após algumas semanas sem movimentar livremente o punho, é comum perceber rigidez e redução da força.

A retomada das atividades acontece aos poucos, respeitando a evolução de cada paciente.

Tarefas leves tendem a voltar antes de atividades que exigem:

  • Levantar peso;
  • Apoiar o corpo sobre a mão;
  • Usar ferramentas com força;
  • Praticar esportes de contato;
  • Fazer exercícios com carga sobre o punho.

O retorno não deve ser definido apenas pela ausência de dor. O osso precisa apresentar condições para suportar novamente as cargas do dia a dia.

Quando a dor no punho merece avaliação de um especialista?

Uma queda seguida de dor persistente na base do polegar merece atenção, mesmo quando a pessoa consegue mexer normalmente a mão.

Também é importante investigar quando a dor diminui, mas volta ao apoiar o punho, carregar peso ou praticar exercícios.

A avaliação com um ortopedista que atua em cirurgia da mão e do punho permite examinar com mais precisão os pequenos ossos do carpo e relacionar os sintomas ao mecanismo do trauma.

Esse cuidado é especialmente útil quando a primeira radiografia não explica a dor ou quando há suspeita de uma lesão antiga que não se consolidou.

O especialista também avalia se há necessidade de novos exames e qual opção de tratamento é mais adequada para aquele padrão de fratura, evitando decisões baseadas apenas no tempo de dor.

Perguntas frequentes

É possível mexer o punho mesmo com o escafoide quebrado?

Sim. Algumas pessoas continuam movimentando o punho e realizando tarefas leves. A possibilidade de movimento não descarta uma fratura, principalmente quando existe dor próxima ao polegar depois de uma queda.

Toda fratura de escafoide precisa de cirurgia?

Não. Fraturas estáveis e sem deslocamento podem ser tratadas com imobilização em casos selecionados. A cirurgia é indicada conforme localização, estabilidade e outras características observadas nos exames.

Um raio-X normal significa que o escafoide não está quebrado?

Nem sempre. Algumas fraturas ficam pouco visíveis nas primeiras radiografias. Se a dor e o exame físico mantiverem a suspeita, novos exames podem ser necessários.

Quanto tempo demora para o escafoide colar?

O período muda conforme a localização da fratura e suas características. Certas regiões apresentam consolidação mais lenta devido às particularidades da circulação sanguínea do osso.

Posso fazer exercício enquanto o escafoide está cicatrizando?

Atividades que colocam carga sobre o punho precisam de liberação médica. Mesmo quando a dor diminui, o osso pode ainda não estar preparado para suportar impactos ou exercícios mais intensos.

Meta description: Veja sintomas, exames, imobilização, cirurgia e cuidados necessários durante o tratamento da fratura de escafoide.

Observação: imagem do artigo - https://www.pexels.com/pt-br/foto/mao-segurando-holding-dor-9003436/

Revisão clínica: Dr. Henrique Cembranelli, ortopedista e cirurgião da mão, CRM-MG 49621, RQE 33937. Publicado em . Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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