Sentir dor ao abrir um pote, pegar uma criança no colo ou até segurar o celular pode parecer algo passageiro.
Quando o incômodo fica concentrado no lado do punho próximo ao polegar, uma das possibilidades é a tenossinovite de De Quervain.
Quem recebe esse diagnóstico pode ficar preocupado e querer saber se a tendinite de De Quervain é grave.
Na maior parte dos casos, não se trata de uma condição perigosa.
Mesmo sem ser uma condição considerada grave na maioria dos casos, a dor pode limitar movimentos que fazem parte da rotina, principalmente quando permanece por vários dias ou semanas.
A intensidade dos sintomas ajuda a definir a conduta, que pode envolver medidas conservadoras e, em situações específicas, tratamento cirúrgico.
Tendinite de De Quervain é grave?
Na maioria dos pacientes, não. É uma condição tratável, mas não significa que toda dor possa ser ignorada.
Quando o quadro progride, movimentos simples podem ficar bastante desconfortáveis. Abrir a mão, girar o punho, carregar objetos e movimentar o polegar passam a provocar dor.
Algumas pessoas também começam a adaptar a maneira de realizar tarefas para proteger a região dolorida.
Com o passar do tempo, essa limitação pode interferir no trabalho, nos cuidados pessoais e em atividades domésticas.
O que define a importância do quadro não é somente o diagnóstico. O médico também observa:
- Intensidade e frequência da dor;
- Tempo de duração dos sintomas;
- Presença de inchaço;
- Dificuldade para movimentar o polegar;
- Impacto nas tarefas do dia;
- Resposta aos tratamentos já realizados.
Uma dor leve e recente apresenta uma situação bem diferente de um quadro que persiste há meses e já dificulta o uso da mão.
O que acontece no punho?
Dois tendões relacionados ao movimento do polegar passam por uma espécie de túnel fibroso na lateral do punho.
São eles o abdutor longo do polegar e o extensor curto do polegar. Esses tendões deslizam dentro de uma bainha durante os movimentos da mão.
Na tenossinovite de De Quervain, há um processo de espessamento e irritação nessa região, dificultando o deslizamento normal.
É justamente nesse ponto que aparece a dor característica, perto da base do polegar e do lado do punho.
O incômodo pode ser discreto no começo. Certos movimentos passam a despertar uma pontada ou sensação dolorosa que chama mais atenção durante tarefas que exigem força ou repetição.
Quais são os sintomas?
A dor na lateral do punho é a manifestação mais conhecida. Ela aparece perto da base do polegar e pode se estender um pouco pelo antebraço.
Algumas pessoas sentem apenas um desconforto durante determinadas atividades. Outras apresentam dor mesmo em tarefas bastante comuns.
Queixas que podem aparecer:
- Dor ao movimentar o polegar;
- Sensibilidade na lateral do punho;
- Inchaço próximo à base do polegar;
- Dificuldade para segurar ou pinçar objetos;
- Dor ao torcer ou girar o punho;
- Sensação de atrito durante determinados movimentos.
Atividades como abrir uma tampa, torcer um pano ou levantar uma panela podem despertar o incômodo.
A intensidade também pode mudar ao longo do dia. O paciente pode ficar relativamente bem em repouso e perceber uma piora quando volta a usar a mão.
O que pode piorar a dor?
Nem sempre existe uma única atividade responsável pelo surgimento do problema. O quadro pode estar relacionado a diferentes fatores e à sobrecarga dos tendões da região.
Movimentos frequentes do polegar e do punho podem aumentar os sintomas quando a região já está sensibilizada.
Entre as situações que podem provocar desconforto estão tarefas que envolvem segurar objetos com força, realizar movimentos repetitivos ou manter o punho em determinadas posições por bastante tempo.
Também existe uma associação conhecida com o período após a gestação.
Nesse contexto, fatores hormonais e a sobrecarga envolvida nos cuidados com o bebê podem participar do desenvolvimento dos sintomas.
Não é necessário abandonar qualquer atividade ao primeiro sinal de dor. Identificar quais movimentos provocam o incômodo ajuda na avaliação e na organização do tratamento.
Como saber se a dor é realmente De Quervain?
Nem toda dor perto do polegar significa tendinite de De Quervain. Existem outros problemas capazes de provocar sintomas em regiões próximas.
A artrose do polegar, a rizartrose, por exemplo, afeta a articulação localizada na base do polegar. Traumas, cistos e outras alterações dos tendões também entram entre as possibilidades.
Durante a consulta, alguns detalhes ajudam a diferenciar essas condições.
O local exato da dor, quando ela começou e quais movimentos provocam piora fornecem informações importantes.
O exame físico permite avaliar pontos dolorosos, mobilidade e resposta a determinadas manobras.
Exames de imagem podem ser solicitados quando há necessidade de investigar outras causas ou esclarecer alguma dúvida diagnóstica. Nem todo paciente precisa passar pelos mesmos exames.
Tenossinovite de De Quervain pode piorar se não tratar?
Um quadro persistente pode se tornar mais limitante.
A pessoa passa a sentir dor em um número maior de atividades e pode encontrar dificuldade para executar movimentos que antes não chamavam atenção.
Existe ainda a tendência de poupar a mão dolorida. Certas tarefas passam para a outra mão ou são realizadas de maneira diferente para evitar o incômodo.
O problema é que conviver com a dor por muito tempo não esclarece sua origem nem indica qual tratamento seria adequado.
Três situações merecem atenção:
- A dor está aumentando: atividades antes toleradas começam a provocar incômodo mais intenso.
- O movimento ficou limitado: usar o polegar, segurar objetos ou movimentar o punho ficou difícil.
- Os sintomas não melhoram: mesmo reduzindo atividades dolorosas, o desconforto continua presente.
Nesses casos, vale investigar o que mantém a dor.
Tem cura?
Há boas possibilidades de controle dos sintomas, e muitos pacientes conseguem voltar às suas atividades depois do tratamento adequado.
A evolução não segue um prazo único. Uma pessoa com sintomas recentes pode responder de maneira diferente daquela que convive com o problema há vários meses.
Também é preciso considerar a rotina. Uma atividade profissional que exige uso intenso das mãos pode interferir na recuperação e exigir adaptações temporárias.
O tratamento busca diminuir a irritação na região dos tendões, controlar a dor e permitir que o polegar e o punho recuperem sua função.
Como é feito o tratamento?
A conduta depende da intensidade dos sintomas e das limitações apresentadas pelo paciente. Não existe uma única abordagem indicada para todos.
Nos quadros tratados sem cirurgia, algumas medidas podem fazer parte do plano terapêutico:
- Modificação temporária das atividades que provocam dor;
- Uso de órtese em situações selecionadas;
- Medicamentos para controle dos sintomas quando indicados;
- Reabilitação conforme a necessidade;
- Infiltração com corticosteroide em casos apropriados.
Nem sempre é preciso abandonar as atividades feitas com a mão.
O mais importante é identificar quais movimentos estão aumentando o desconforto e diminuir essa sobrecarga durante o período de tratamento.
Quando a dor incomoda bastante, o médico pode avaliar o uso de medicamentos para alívio dos sintomas.
Tomar esses remédios com frequência sem acompanhamento pode apenas esconder o problema por algumas horas, enquanto a dificuldade para movimentar a mão continua presente.
Infiltração ajuda na tenossinovite de De Quervain?
A infiltração com corticosteroide é uma das opções que podem ser consideradas no tratamento.
O medicamento é aplicado na região da bainha dos tendões com o objetivo de reduzir o processo inflamatório local.
A indicação depende da avaliação do quadro e das características de cada paciente.
A anatomia da região também merece atenção. Existem variações na disposição dos tendões e dos compartimentos por onde eles passam, o que pode interferir na resposta ao procedimento.
A infiltração não deve ser encarada como uma aplicação feita automaticamente para qualquer dor no punho.
Antes dela, é importante confirmar o diagnóstico e avaliar se essa opção faz sentido naquele caso.
Quando precisa de cirurgia?
A cirurgia não é a primeira escolha para todos os pacientes, podendo ser discutida quando os sintomas permanecem apesar do tratamento conservador adequado ou quando a limitação continua relevante.
O procedimento busca liberar o compartimento pelo qual passam os tendões afetados, aumentando o espaço disponível para seu deslizamento.
A decisão leva em conta pontos como:
- Duração do quadro;
- Intensidade da dor;
- Prejuízo funcional;
- Tratamentos realizados anteriormente;
- Resposta às medidas conservadoras;
- Características individuais do paciente.
Ter tendinite de De Quervain não significa que a cirurgia será inevitável.
Como é a recuperação depois da cirurgia?
Após o procedimento, a região precisa cicatrizar e recuperar gradualmente sua mobilidade.
O retorno às atividades varia conforme a evolução de cada pessoa e o tipo de tarefa realizada no cotidiano.
Nos primeiros dias, podem existir dor, sensibilidade e inchaço local. Os cuidados com a ferida cirúrgica e a movimentação devem seguir as orientações recebidas.
Atividades leves e tarefas que exigem força não necessariamente retornam no mesmo momento.
Trabalho manual intenso, esportes e movimentos repetitivos podem exigir um período maior antes da liberação.
A recuperação também envolve acompanhar a mobilidade do polegar e do punho. Quando necessário, medidas de reabilitação podem fazer parte desse período.
Quando procurar avaliação para dor perto do polegar?
Uma dor isolada depois de um esforço não significa necessariamente que exista uma doença nos tendões.
O sinal de alerta aparece quando o problema persiste, retorna com frequência ou começa a restringir atividades.
Também vale buscar avaliação quando existe inchaço importante, perda de movimento, trauma recente ou dificuldade crescente para utilizar a mão.
Quando a dor está localizada na região do polegar e do punho, procurar um ortopedista especialista em mão é indicado quando a dor persiste e começa a limitar os movimentos.
Esse cuidado é especialmente útil quando a pessoa já tentou reduzir esforços e continua sentindo dor ou quando o desconforto começa a comprometer tarefas profissionais e pessoais.
É possível evitar que a dor volte?
Nem sempre é possível apontar um único fator responsável pelo quadro, o que torna difícil falar em prevenção completa.
Depois da melhora, vale observar quais tarefas provocavam maior sobrecarga e como elas são realizadas.
Pequenas mudanças na rotina podem reduzir estímulos repetitivos sobre uma região que ainda está recuperando sua tolerância aos movimentos.
Retomar atividades gradualmente é mais confortável do que voltar de uma vez ao mesmo nível do esforço anterior.
Quando a profissão exige movimentos repetitivos, adaptações temporárias podem ser discutidas durante o acompanhamento.
Perguntas frequentes
Tendinite de De Quervain é grave e pode deixar sequelas?
Na maioria das vezes, não é considerada uma doença grave. Quadros persistentes podem causar dor e limitação funcional, motivo pelo qual sintomas prolongados merecem avaliação.
Tenossinovite de De Quervain pode melhorar sozinho?
Alguns quadros leves podem apresentar melhora com redução das atividades que provocam dor. Se os sintomas persistirem ou piorarem, é indicado investigar a causa e definir o tratamento adequado.
Quanto tempo leva para melhorar?
Não existe um prazo igual para todos. O tempo depende da intensidade do quadro, duração dos sintomas, atividades realizadas e resposta ao tratamento.
Quem tem De Quervain precisa parar de trabalhar?
Nem sempre. A necessidade de afastamento ou adaptação depende do tipo de trabalho e da intensidade dos sintomas, principalmente quando a atividade exige força ou movimentos repetitivos da mão.
Toda tenossinovite de De Quervain precisa de infiltração?
Não. A infiltração é uma das possibilidades de tratamento, mas sua indicação depende dos sintomas, da avaliação médica e da resposta às outras medidas adotadas.
Meta description: Dor perto do polegar pode dificultar tarefas simples. Saiba quando procurar avaliação e descubra se a tendinite de De Quervain é grave.
Observação: imagem do artigo https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-maos-segurando-holding-19804303/
Revisão clínica: Dr. Henrique Cembranelli, ortopedista e cirurgião da mão, CRM-MG 49621, RQE 33937. Publicado em . Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.