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Rizartrose

Rizartrose precisa de cirurgia?

Dor na base do polegar nem sempre leva ao centro cirúrgico. Veja quando a rizartrose precisa de cirurgia.

· 8 min de leitura · por Dr. Henrique Cembranelli

Mãos de uma senhora idosa trabalhando com linha, movimento de pinça limitado pela rizartrose

Sentir dor ao abrir um pote, girar uma chave ou segurar um objeto pode fazer surgir uma preocupação: rizartrose precisa de cirurgia? Nem sempre.

Muitos pacientes conseguem controlar os sintomas com medidas que não envolvem uma operação, principalmente quando a doença ainda permite realizar boa parte das atividades.

A cirurgia passa a ser discutida em situações específicas. A intensidade da dor tem peso nessa decisão, mas não é o único ponto observado.

O médico também avalia a limitação dos movimentos, a perda de força, o impacto na rotina e a resposta aos tratamentos realizados anteriormente.

O que é rizartrose e por que ela causa dor no polegar?

A rizartrose é o desgaste da articulação localizada na base do polegar, chamada de trapézio-metacarpiana.

Essa articulação participa de vários movimentos usados diariamente, principalmente aqueles que envolvem pinça e oposição do polegar.

Com o desgaste da cartilagem, o movimento entre os ossos pode ficar doloroso.

Algumas pessoas apresentam sintomas discretos durante bastante tempo. Outras começam a sentir dificuldade em tarefas que antes eram feitas sem qualquer preocupação.

Entre as queixas que podem aparecer, destacam-se:

  • Dor na base do polegar;
  • Incômodo ao fazer força com a mão;
  • Dificuldade para abrir tampas e embalagens;
  • Perda de força para pinçar objetos;
  • Rigidez na região;
  • Aumento de volume próximo à base do polegar;
  • Sensação de que alguns movimentos ficaram mais difíceis.

A presença desses sinais não determina, sozinha, a necessidade de uma operação.

Rizartrose precisa de cirurgia?

A resposta depende muito mais de como a doença afeta a vida do paciente do que simplesmente da presença de desgaste em um exame.

Uma pessoa pode apresentar alterações importantes na radiografia e ter poucos sintomas.

Outra pode ter dor para dificultar atividades profissionais, tarefas domésticas ou movimentos simples, mesmo sem uma imagem tão avançada.

Antes de indicar uma cirurgia, é preciso reunir várias informações.

O médico procura entender há quanto tempo a dor existe, quais movimentos incomodam e o quanto a mão perdeu funcionalidade.

Também é importante saber quais tratamentos já foram tentados e qual foi a resposta obtida.

Quando as opções conservadoras ainda oferecem controle adequado dos sintomas, a cirurgia pode não ser necessária naquele momento.

Como saber se a rizartrose está piorando?

A evolução não acontece da mesma maneira em todos os pacientes. O desconforto pode permanecer estável durante algum tempo ou ganhar intensidade gradualmente.

Um sinal que merece atenção é quando a dor começa a aparecer em tarefas cada vez mais simples. Abrir uma garrafa, usar uma tesoura ou torcer um pano, por exemplo, pode passar a exigir esforço maior.

Outras mudanças também podem ser percebidas:

  • Redução da força do polegar;
  • Dor mais frequente durante o dia;
  • Dificuldade para segurar objetos pequenos;
  • Limitação para movimentos de pinça;
  • Alteração no formato da base do polegar;
  • Necessidade de adaptar tarefas por causa da dor.

Não é preciso esperar que a mão fique muito limitada para procurar avaliação.

Identificar como a articulação está funcionando ajuda a definir o tratamento adequado para aquele momento.

O que pode ser feito antes de pensar em cirurgia?

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e das necessidades de cada pessoa.

Quando a dor ainda pode ser controlada sem operação, existem diferentes recursos que podem entrar no planejamento.

O objetivo não é fazer a cartilagem desgastada voltar ao estado original. O foco está em diminuir o incômodo e preservar a função da mão pelo maior tempo possível.

Mudanças nas atividades podem ajudar?

Algumas tarefas exigem bastante força da articulação da base do polegar. Reconhecer quais movimentos desencadeiam a dor permite fazer pequenas adaptações no dia a dia.

Mas isso não significa deixar de usar a mão. A ideia é reduzir sobrecargas repetidas e evitar esforços que provoquem crises frequentes.

Utensílios com cabos mais largos e adaptações para abrir potes são exemplos de recursos que podem diminuir a força exigida do polegar.

Órtese pode ser usada na rizartrose?

A órtese pode ajudar a estabilizar a articulação durante determinadas atividades. Existem modelos diferentes, e a indicação depende das necessidades do paciente.

O uso pode diminuir movimentos que causam a dor sem necessariamente imobilizar toda a mão. O tempo de utilização também precisa ser individualizado.

Medicamentos resolvem a rizartrose?

Medicamentos podem ser usados para controlar períodos de dor ou inflamação, quando existe indicação médica.

É importante deixar claro que eles não recuperam a cartilagem já desgastada.

O uso repetido de anti-inflamatórios por conta própria merece cuidado. Esses medicamentos possuem contraindicações e podem causar efeitos adversos em algumas pessoas.

Fisioterapia ou terapia da mão podem fazer parte do tratamento?

Exercícios específicos podem trabalhar mobilidade, estabilidade e função da mão. O planejamento precisa respeitar a fase da doença e os movimentos que provocam dor.

Forçar uma articulação dolorosa sem orientação não é uma boa estratégia. O tipo de exercício e sua intensidade precisam ser definidos de acordo com cada quadro.

Infiltração pode evitar a cirurgia?

A infiltração pode ser considerada em alguns pacientes com rizartrose.

O procedimento consiste na aplicação de medicamento na região da articulação afetada, sempre com indicação médica.

A resposta varia. Alguns pacientes apresentam melhora por determinado período, enquanto outros percebem benefício menor.

Também não é adequado considerar a infiltração como uma forma garantida de evitar uma operação. Ela é uma das possibilidades disponíveis dentro do tratamento conservador.

A decisão de utilizá-la leva em conta pontos como:

  • Intensidade e frequência da dor;
  • Estágio do desgaste;
  • Tratamentos realizados anteriormente;
  • Condições clínicas do paciente;
  • Impacto dos sintomas na rotina.

O resultado obtido também ajuda o médico a acompanhar o comportamento da doença ao longo do tempo.

Quando a cirurgia de rizartrose começa a ser considerada?

Não existe um único momento que sirva para todos. A decisão surge da combinação entre sintomas, limitações e resposta ao tratamento já realizado.

Na consulta, alguns pontos ganham atenção especial:

  1. A dor continua mesmo após medidas conservadoras?
  2. O polegar perdeu força ou mobilidade de maneira relevante?
  3. Atividades comuns passaram a ser difíceis?
  4. A limitação está interferindo no trabalho ou na rotina?
  5. Os exames e o exame físico são compatíveis com os sintomas?

Quando esses fatores têm impacto importante na vida do paciente, a possibilidade de cirurgia pode entrar na conversa.

A idade, sozinha, não determina a indicação. Profissão, atividades manuais, condições de saúde e expectativas sobre o uso da mão também precisam ser consideradas.

Qual cirurgia é feita para rizartrose?

Existem diferentes técnicas cirúrgicas para tratar a articulação comprometida.

A escolha depende do grau de desgaste, das características da mão e das necessidades funcionais do paciente.

Uma técnica bastante utilizada envolve a retirada do trapézio, osso que participa da articulação desgastada. Esse procedimento é conhecido como trapeziectomia.

Dependendo da técnica escolhida, outros procedimentos podem ser associados para proporcionar estabilidade à região.

Também existem situações em que outras alternativas cirúrgicas são avaliadas. Não há uma única cirurgia adequada para todos os pacientes com rizartrose.

A escolha precisa considerar o problema encontrado e o resultado funcional esperado para aquela mão.

Como é a recuperação depois da cirurgia?

A recuperação é gradual. Nos primeiros dias, a mão ainda pode apresentar dor, inchaço e limitação dos movimentos, e o retorno às atividades que exigem força acontece aos poucos.

Nas fases iniciais, pode ser necessário utilizar imobilização ou órtese. O controle do inchaço e a proteção da região operada também fazem parte dos cuidados.

Com a evolução, exercícios podem ser introduzidos para recuperar movimento e função. Atividades mais pesadas são liberadas de maneira progressiva.

O tempo até recuperar força suficiente para determinadas tarefas varia entre os pacientes.

A técnica realizada, a atividade profissional e a resposta individual à reabilitação interferem nesse processo.

A cirurgia acaba completamente com a dor?

O objetivo do procedimento é reduzir a dor provocada pela articulação desgastada e melhorar a função da mão. A recuperação, porém, precisa ser vista como um processo gradual.

Nas primeiras semanas, o próprio procedimento pode causar dor, inchaço e dificuldade para movimentar a região.

Esses sintomas fazem parte do período pós-operatório e são acompanhados durante o retorno médico.

A melhora funcional também não acontece imediatamente. Mobilidade e força são recuperadas aos poucos.

É importante conversar sobre expectativas antes da cirurgia. O resultado não deve ser avaliado apenas pelos primeiros dias ou semanas de recuperação.

É possível conviver com rizartrose sem operar?

Sim. Muitas pessoas permanecem por bastante tempo em tratamento conservador, especialmente quando conseguem controlar a dor e continuar realizando suas atividades.

A presença da rizartrose em uma radiografia não significa que a articulação obrigatoriamente terá de ser operada.

O cenário muda quando a dor se torna persistente, a força diminui ou tarefas importantes passam a ser evitadas por causa do polegar.

Nessa fase, insistir indefinidamente em uma estratégia que já não oferece resultado pode não trazer benefício. É o momento de reavaliar as alternativas disponíveis.

Quando procurar avaliação especializada para dor na base do polegar?

Dor recorrente na base do polegar merece investigação, principalmente quando começa a limitar movimentos ou exige adaptações frequentes na rotina.

Nem toda dor nessa região é provocada por rizartrose. Tendões, ligamentos e outras articulações também podem causar sintomas parecidos.

Uma avaliação com ortopedista de mão e punho especialista em investigação clínica e por imagem permite examinar a articulação, verificar os movimentos que provocam dor e relacionar esses achados aos exames de imagem quando eles forem necessários.

Esse cuidado também ajuda a evitar uma decisão baseada apenas na radiografia.

O tratamento deve considerar a mão do paciente, suas atividades e aquilo que realmente está causando limitação.

O que levar em conta antes de decidir pela cirurgia?

A decisão não precisa ser tomada apenas porque existe desgaste articular.

O ponto central é entender quanto a rizartrose interfere na vida diária e se as opções utilizadas até aquele momento ainda funcionam.

O especialista também leva em conta o quanto a dor atrapalha a rotina.

Para algumas pessoas, o incômodo aparece só em esforços maiores. Para outras, tarefas simples, como abrir uma embalagem ou segurar um objeto, já se tornam quase impossíveis.

Antes de indicar a cirurgia, o médico avalia essas limitações e conversa sobre o que pode ser esperado do tratamento, inclusive durante o período de recuperação.

Perguntas frequentes

Toda pessoa com rizartrose precisa operar?

Não. Há pacientes que conseguem controlar a dor e manter boa função da mão com tratamento conservador. A cirurgia fica reservada para situações em que existe indicação baseada nos sintomas, limitações e resposta aos tratamentos anteriores.

Rizartrose precisa de cirurgia quando aparece na radiografia?

Não necessariamente. A imagem é apenas uma parte da avaliação. A intensidade da dor, a perda de função e o impacto da doença nas atividades diárias também precisam ser considerados.

Rizartrose pode piorar sem cirurgia?

O desgaste articular pode evoluir ao longo do tempo, mas sintomas e alterações radiográficas nem sempre avançam na mesma proporção. O acompanhamento ajuda a observar a função da mão e ajustar o tratamento quando necessário.

Infiltração cura a rizartrose?

Não. A infiltração pode ser utilizada para aliviar sintomas em determinados pacientes, mas não recupera a cartilagem desgastada. O benefício e a duração da melhora variam de pessoa para pessoa.

Quanto tempo leva para se recuperar de uma cirurgia de rizartrose?

A recuperação é progressiva e pode levar alguns meses até que movimentos, força e atividades mais exigentes sejam retomados. O prazo depende da técnica cirúrgica, da reabilitação e das características de cada paciente.

Meta description: Dor e perda de força no polegar podem mudar a escolha do tratamento. Saiba quando a rizartrose precisa de cirurgia.

Observação: imagem do artigo- https://pixabay.com/photos/thumbs-up-thumb-hand-positive-good-1528398/

Revisão clínica: Dr. Henrique Cembranelli, ortopedista e cirurgião da mão, CRM-MG 49621, RQE 33937. Publicado em . Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.

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