Abrir um pote, girar uma chave ou segurar o celular parece algo automático até surgir dor na base do polegar.
Quando esse incômodo começa a se repetir, uma das possíveis causas é a rizartrose, um desgaste que atinge a articulação localizada entre o polegar e o punho.
Nesse cenário, é natural querer saber: rizartrose tem cura?
O desgaste da cartilagem não pode ser revertido para que a articulação volte ao estado original, mas não significa que a pessoa terá de conviver com dor constante.
Existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e preservar a função da mão, e alguns casos podem ser tratados cirurgicamente quando as medidas mais simples deixam de funcionar.
O que é rizartrose e por que ela provoca dor?
A rizartrose é o desgaste da articulação localizada na base do polegar, próxima ao punho.
Nessa articulação, a cartilagem ajuda os ossos a se moverem com suavidade. Quando ela se desgasta, esse movimento pode ficar menos confortável e o polegar passa a doer com mais facilidade, principalmente durante esforços.
O problema é mais percebido justamente nas atividades que exigem pinça ou força do polegar.
A pessoa pode sentir desconforto ao escrever, abrir embalagens ou até manipular objetos pequenos.
Com o avanço do desgaste, também podem surgir rigidez, redução da força e mudanças no formato da base do polegar.
Rizartrose tem cura ou o tratamento controla a doença?
Quando alguém pergunta se rizartrose tem cura, é importante separar duas questões.
Uma delas é o desgaste da cartilagem; a outra é o que pode ser feito para melhorar a dor e o uso da mão.
A cartilagem que já sofreu desgaste não volta espontaneamente à condição anterior. O tratamento não recupera a articulação desgastada como se ela voltasse ao estado de antes.
A proposta é controlar a dor, manter o polegar funcional e facilitar os movimentos usados nas tarefas do dia a dia.
Muitos pacientes conseguem manter os sintomas controlados durante bastante tempo sem cirurgia.
Quando a dor permanece forte mesmo após outras tentativas de tratamento, procedimentos cirúrgicos podem ser discutidos.
Quais são os sintomas mais comuns da rizartrose?
A dor na base do polegar é a manifestação mais conhecida. Ela pode começar de maneira discreta e aparecer somente durante atividades que exigem mais força.
Com o tempo, algumas tarefas passam a chamar atenção pelo incômodo, como:
- Abrir potes ou garrafas;
- Girar uma chave na fechadura;
- Torcer um pano;
- Escrever por períodos maiores;
- Usar tesoura ou alicate;
- Segurar objetos entre o polegar e o indicador;
- Abrir embalagens;
- Usar o celular por muito tempo.
Nem todos apresentam a mesma evolução.
Há pessoas com alterações importantes nos exames e poucos sintomas, enquanto outras sentem bastante dor mesmo com um desgaste menos avançado.
Esse é um dos motivos pelos quais o tratamento não deve ser definido apenas pela imagem da articulação.
Como saber se a dor no polegar é rizartrose?
A localização da dor fornece uma pista importante, mas não basta para confirmar o diagnóstico.
Outras alterações da mão e do punho também podem provocar desconforto próximo ao polegar.
Durante a consulta, o médico procura entender quando a dor começou, quais movimentos incomodam e se houve perda de força.
Depois, examina a articulação e observa a mobilidade, estabilidade e pontos dolorosos.
Radiografias podem ser solicitadas para avaliar o espaço articular, o grau de desgaste e possíveis alterações nos ossos.
Nem sempre existe uma relação direta entre a imagem e aquilo que a pessoa sente. O exame precisa ser interpretado junto com os sintomas e com a avaliação da mão.
O que pode aumentar a dor da rizartrose?
Não existe uma única atividade responsável pela progressão da doença. Certos movimentos, porém, podem aumentar o desconforto quando a articulação já está sensível.
Atividades repetitivas que exigem força de pinça são um exemplo. Abrir tampas muito apertadas ou segurar ferramentas por bastante tempo também pode deixar a região mais dolorida.
Durante uma fase de crise, insistir em movimentos que provocam dor pode tornar o dia a dia mais difícil.
Mas isso não significa deixar o polegar parado. O ideal é ajustar a carga e reduzir temporariamente os esforços que provocam o incômodo, mantendo o uso da mão dentro do que for tolerado.
Como é feito o tratamento sem cirurgia?
O tratamento depende da intensidade da dor, do impacto na rotina e do estágio da doença.
Nos quadros iniciais ou moderados, medidas conservadoras oferecem um bom controle.
Mudanças simples no cotidiano também fazem diferença. Abrir recipientes com utensílios próprios, usar objetos com cabos maiores e evitar movimentos de pinça muito fortes são exemplos.
Entre as opções que podem fazer parte do tratamento, destacam-se:
- Órteses para dar suporte à base do polegar;
- Analgésicos em períodos de dor;
- Anti-inflamatórios quando houver indicação;
- Terapia da mão;
- Exercícios orientados;
- Adaptação das atividades.
Não é necessário utilizar todos esses recursos. A escolha depende dos sintomas, da resposta ao que já foi tentado e das necessidades de cada paciente.
Infiltração guiada por ultrassom pode fazer parte do tratamento?
Sim. Em alguns casos, a infiltração pode ser realizada com auxílio do ultrassom para visualizar a articulação durante o procedimento.
A imagem permite acompanhar o posicionamento da agulha e direcionar a aplicação para a região desejada, que pode ser especialmente útil em uma articulação pequena como a da base do polegar.
A infiltração pode ajudar a aliviar a dor e o processo inflamatório por determinado período, porém, ela não recupera a cartilagem desgastada e não deve ser considerada uma cura para a rizartrose.
A indicação precisa ser feita de maneira individual. O médico avalia a intensidade dos sintomas, os tratamentos já utilizados e se o procedimento faz sentido naquele momento.
A órtese ajuda quem tem rizartrose?
Pode ajudar, principalmente quando determinados movimentos desencadeiam dor.
A órtese oferece suporte à base do polegar e reduz a carga sobre a articulação durante algumas atividades.
Existem modelos mais rígidos e outros que permitem maior liberdade de movimento. O tempo de uso também varia.
Usar uma órtese inadequada ou mantê-la continuamente sem orientação pode não ser a melhor escolha.
O tipo e a rotina de uso precisam considerar as tarefas realizadas pelo paciente e o estágio da doença.
Remédio consegue tratar o desgaste da cartilagem?
Os medicamentos podem participar do controle da dor, mas não reconstroem a cartilagem que já sofreu desgaste.
Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser prescritos durante períodos de maior desconforto.
A decisão depende da intensidade dos sintomas e também das condições de saúde do paciente.
O uso por conta própria, principalmente por períodos prolongados, merece cuidado.
Alguns medicamentos podem não ser adequados para pacientes com determinadas doenças ou que já utilizam outras medicações.
O remédio é apenas uma das possibilidades e não deve ser entendido como uma forma de recuperar a articulação.
Exercícios podem ajudar ou piorar a dor?
Movimentar o polegar não é necessariamente prejudicial. Exercícios bem escolhidos podem colaborar para preservar a mobilidade, estabilidade e função da mão.
O problema aparece quando a pessoa tenta fortalecer a região durante uma fase dolorosa ou realiza movimentos sem considerar o estágio da doença.
Um exercício que funciona bem para um paciente pode não ser adequado para outro. Intensidade, quantidade de repetições e momento de iniciar o fortalecimento fazem diferença.
Quando existe indicação, a terapia da mão permite trabalhar esses pontos de maneira direcionada e também adaptar tarefas que estão sobrecarregando o polegar.
Quando a cirurgia passa a ser considerada?
Ter rizartrose não significa que a cirurgia será necessária. Muitos pacientes permanecem bem com tratamento conservador.
A possibilidade de operar ganha espaço quando a dor continua limitando atividades importantes mesmo depois de outras medidas terem sido testadas.
A perda de função e o impacto na rotina também entram nessa avaliação.
A decisão leva em conta os sintomas, o exame físico, a resposta ao tratamento e aquilo que a pessoa precisa fazer com a mão.
Como funciona a cirurgia para rizartrose?
Existem diferentes técnicas cirúrgicas.
A escolha depende do estágio da artrose, da estabilidade das articulações próximas, da idade, das atividades realizadas e de outros aspectos encontrados na avaliação.
Em algumas técnicas, o osso trapézio, que participa da articulação desgastada, pode ser retirado.
Dependendo do caso, outros procedimentos podem ser associados para oferecer suporte à base do polegar.
O objetivo é reduzir a dor e manter uma mão funcional. Antes do procedimento, é importante entender qual técnica foi indicada e como será o período de recuperação.
Quanto tempo leva para recuperar a mão após a cirurgia?
A recuperação acontece de maneira gradual. Nas primeiras semanas, a mão precisa de proteção para que os tecidos possam cicatrizar.
O processo pode seguir algumas etapas:
- Proteção da região operada.
- Início progressivo dos movimentos.
- Recuperação da mobilidade.
- Fortalecimento do polegar.
- Retorno gradual às atividades que exigem mais esforço.
Algumas tarefas leves podem voltar mais cedo. Atividades que dependem de força geralmente precisam esperar.
A melhora pode continuar acontecendo ao longo dos meses. O tempo varia conforme a técnica utilizada, o estágio da doença e a evolução de cada paciente.
É possível impedir que a rizartrose avance?
Não existe uma maneira garantida de interromper completamente o desgaste articular.
Algumas medidas, porém, podem ajudar a reduzir a sobrecarga e deixar as atividades mais confortáveis.
Vale observar quais movimentos provocam dor repetidamente. Pequenas mudanças na forma de realizar uma tarefa podem diminuir a força exigida da base do polegar.
Usar utensílios com cabos mais largos, evitar abrir recipientes muito apertados somente com a mão e alternar tarefas repetitivas são exemplos.
A proposta não é deixar de usar o polegar, mas evitar esforço desnecessário quando a região já está dolorida.
Quando a dor na base do polegar merece avaliação?
Uma dor ocasional depois de um esforço não significa necessariamente que exista rizartrose.
A avaliação ganha importância quando o incômodo volta com frequência, persiste ou começa a limitar tarefas que antes eram simples.
Perda de força, rigidez, dificuldade para fazer pinça ou mudança no formato da base do polegar também merecem atenção.
Nessas situações, a avaliação com um ortopedista especialista em mão permite investigar a origem dos sintomas e diferenciar a rizartrose de outros problemas que podem causar dor na mesma região.
Perguntas frequentes
Rizartrose tem cura?
O desgaste da cartilagem não pode ser revertido para que a articulação volte ao estado original. O tratamento busca controlar a dor, preservar os movimentos e manter a função da mão.
Quem tem rizartrose precisa operar?
Não. Muitos pacientes conseguem controlar os sintomas com medidas conservadoras. A cirurgia entra em discussão quando a dor continua importante mesmo depois de outras opções de tratamento.
A infiltração guiada por ultrassom cura a rizartrose?
Não. O procedimento pode ajudar no controle da dor em casos selecionados. O ultrassom auxilia no direcionamento da aplicação, mas não recupera a cartilagem desgastada.
Rizartrose pode causar perda de força?
Sim. A pessoa pode perceber dificuldade para fazer pinça, abrir tampas, segurar objetos ou realizar tarefas que exigem força do polegar.
Qual médico trata rizartrose?
O ortopedista especialista em mão é o profissional que avalia doenças que atingem as articulações, tendões, nervos e outras estruturas da mão e do punho.
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Observação: imagem do artigo https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-esquerdas-4061225/
Revisão clínica: Dr. Henrique Cembranelli, ortopedista e cirurgião da mão, CRM-MG 49621, RQE 33937. Publicado em . Conteúdo informativo, que não substitui a consulta.